segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O Poente














Tenho o vento forte,
Flamejante ao poente,
Dentro de mim!
Que assopra nas orlas,
E fere em tempestade,
Os mares outrora calmos...
Içando as velas dormentes
E faz singrar minh’alma errante,
Guiada por estrelas cadentes.
Em busca do ocaso:
Salpicando de esperança
Meu ledo coração!
Afastando-o e levando a lugares
Distantes, inconcebíveis...
Que nunca ousei em ir!
Tenho o vento forte,
Flamejante ao poente,
Dentro de mim!

sábado, 1 de setembro de 2012

Outras primaveras virão...













Ah! Quem dera...
Ser sempre primavera!
E no esperar continuo:
Trazendo em seu sopro: o pólen
Tecendo a madrigal aurora,
Matéria- prima intacta,
Ainda não fecundada
Pelas mãos do destino!
Encontro prometido
Da esperança ainda não vivida,
Na sempre mudança dos dias...
Ainda virão outras primaveras:
Onde há de florir em nossos campos,
A incansável estação da perseverança!





Pictures by: Claude Monet     PRIMAVERA

sábado, 28 de julho de 2012

Canto singelo dos tempos idos
















Era um travesso andorinho,
Vivia como um passarinho:
De galho em galho, de flor em flor...
Sem saber, o destino tem a dor!

E todo o sonho deste mundo
Em ínfima fração de segundo,
Não ficando nenhum pouco sequer
D’um instante retido florescer.

Canto o meu sonho incontido,
Saudoso, deveras combalido.
Mas resta-me o desejo de estar
Contigo num dia, sem hesitar!

E direi coisas ao teu ouvido
Que nunca ousei tê-las dito,
Expor com tamanha sutileza
Meu canto que vem da natureza!









terça-feira, 3 de julho de 2012

Rosa dos Ventos










Nas orlas do nosso finito destino,

Fugazes prelúdios inacabados.

Visões dilacerantes e voluptuosas

No consternado dilema enraizadas.


Onde só ficou a flamejante

Chama do encouraçado despedaçado,

Só restando a nós juntar os cacos

De nossos corações amargurados!


Dentre longínquas ilhas inexploradas,

Sabendo que encontraria amores

Ainda não apreciados, ficarei, então...

Nestes desejos infinitos: Naufragado!













Pictures: Rosa dos Ventos

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rosa_dos_ventos


sábado, 30 de junho de 2012

Ao entardecer







Éramos tantos, e infinitos
Sorríamos sempre ao poente
Esperando outro amanhecer
E íamos alegremente, destemidos,
Ao desconhecido, na razão de ser.

Éramos tão confiantes
Que enamorávamos ao entardecer.
Mas findou o sopro da aurora
Trouxe a abrupta escuridão
Espantando nosso bem querer















Pictures by

Landscape at Twilight
Van Gogh




segunda-feira, 25 de junho de 2012

Pousam os astros em minhas mãos...












Morre-se pra durar.”
Vicente Cechelero






Ó constelar sensação do efêmero,
Vem meteoricamente do infinito:
Quero beber todas suas estrelas!
Numa bodega com Rimbaud e Pessoa.

Num trago áspero e mortal
Na esquina do mundo, na beira do Zênite
Contemplando o passar dos astros
E nossas eternas musas.

No final dos tempos, ainda não vividos,
Embriagar-nos-emos da lucidez absurda
Sem ter pena deste pobre corpo,
Desta matéria vã e finita.

E depois sairemos caminhando pela areia,
Nesta plenitude, na comunhão do êxtase,
A seguir passos já marcados pelo relógio
Previsível e irreversível do tempo...

Sentindo o frescor das espumas das ondas
Espraiando-se ao redor deste mundo,
Do mar que banha este véu intergaláctico
A que nós humanos, chamamos de imensidão.





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quarta-feira, 23 de maio de 2012

O amor...












O amor...

Não nasce assim... De surpresa.

Ele é fruto de sinceridades

Mutuamente sentidas.


É todo um magnetismo

Na ofuscante descoberta

Em que a cada troca de olhar

Verifica-se o amor crescendo.


Não é apenas um tocar.

É também um eterno

Pensar e sentir.


É todo um ato de confiança:

Um entregar por inteiro,

Sem ter que temer o falso amor




imagem por:


http://coisasdemaecoruja.blogspot.com/2010_04_01_archive.html



domingo, 20 de maio de 2012

ROUXINOL DOS CANTOS ESQUECIDOS!





À

Liu Xiaobo

Prêmio Nobel da Paz





Entre os campos embevecidos,
E ao longe, dias não vividos:
Onde a paz entre os humanos
Não ecoa ao passar dos anos.


Nestes tempos incompreensíveis,
Nos vales dos sonhos impossíveis,
Entre falésias entorpecidas,
Esperanças desaparecidas.


Preenchendo este vasto vazio,
Como se fosse nosso martírio
De desejar aquilo ao longe,
Como sendo solitário monge.


Vem o mistério do infinito
Renascer no nosso espírito,
De emoções do indefinível,
Momento nosso indissolvível



http://nobelprize.org/nobel_prizes/peace/laureates/2010/xiaobo.html#




Luis Antonio Rossetto é Registered &

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sábado, 19 de maio de 2012

No apogeu do teu ser!



O esplendor das horas em tua companhia

Faz mover os astros silenciosamente,

Desvendando os segredos do gênesis,

Acariciando a languidão do ser.


Noutros corpos viajei

Num vaivém do êxtase,

Pondo um sorriso não eterno nos olhos,

Habitando impiedosamente o coração.


Mas não encontrei a mim mesmo.

Só reflexos do nada, herméticos

Instantes – rio que flui sem leito:

Teu corpo que outrora amei.





sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Gota de orvalho que cai...











As coisas tangíveis tornam-se insensíveis
À palma da mão. Mas as coisas findas,
Muito mais que lindas... Essas ficarão...

Drummond.








Hoje... Saí despretensiosamente:
Descarnado da luxúria,
Extasiando-me da abrupta luz
E liberto da vontade de possuir...
Limitado à cotidiana matéria
Espectro finito do existir!
Hoje saí sem me despedir,
Desnudo da humana carne envolta,
Sem se preocupar com a estrada
Que inevitavelmente deva seguir.
Sem os trajes terrenos presos a mim:
Este fugaz pileque homérico que é a vida,
Vou... Mas sem sentir pena!













Foto extraída do site:
http://1.bp.blogspot.com/_RKS7QRQ7aNE/TE4ItNmEvmI/AAAAAAAAAcM/Tgqk92OO_hk/s1600/gota-de-orvalho-mariana-borges-bizinotto-43182-1.jpg


quarta-feira, 16 de maio de 2012

CANTO DA TERRA VIAJANDO



As flores do mal não brotarão

Sob os teus olhos inocentes,

Nem os sacerdotes do medo

Abafarão com seus cânticos

Os hinos de liberdade.

Nem as profundezas da escuridão

Conterão as luzes dos teus olhos:

Plantadores de quimeras.

Seguiremos impassivelmente,

Apesar das inesperadas tormentas

Nesta nave celestial, errante

- Singrando este divino oceano,

Indo de encontro ao porto seguro

Do seu coração de eterna criança.






segunda-feira, 14 de maio de 2012

Embala-me no teu colo com ternura...




Minha alma anda presa
Neste verso que lhe escrevo.
Este sortilégio passageiro,
Trás o universo num pedaço
Na palma das mãos, faz sentir por inteiro.
Embala-me neste teu colo cosmogênico
No frescor do sentir do eterno:
Em vão não são as palavras ditas aos ventos
Aquelas impregnadas por sentimentos,
Da razão do pensar e emana
O elemento essencial que somos feitos.




Pictures by
vincent-van-gogh-starry-night (1)

A rosa de todos os tempos



“Para ver o mundo num grão de areia

E um céu numa flor silvestre,

Segure o Infinito na palma da sua mão

E a eternidade numa hora.”

William Blake, em Auguries of Innocence



Nesta antemanhã celestial,

Desfizeram-se eternos mitos.

Infinita sensação galaxial

Fugaz, apesar dos seus ritos!


Vem a doloríssima manhã, vem...

Redimir esta dor universal,

Que os homens lúcidos têm

De ver a disseminação do mal.


Exorcizando antigos medos,

Libertando da matéria os ais!

A rosa desse final dos tempos

Não se desintegrará jamais!