sábado, 19 de maio de 2012

No apogeu do teu ser!



O esplendor das horas em tua companhia

Faz mover os astros silenciosamente,

Desvendando os segredos do gênesis,

Acariciando a languidão do ser.


Noutros corpos viajei

Num vaivém do êxtase,

Pondo um sorriso não eterno nos olhos,

Habitando impiedosamente o coração.


Mas não encontrei a mim mesmo.

Só reflexos do nada, herméticos

Instantes – rio que flui sem leito:

Teu corpo que outrora amei.





sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Gota de orvalho que cai...











As coisas tangíveis tornam-se insensíveis
À palma da mão. Mas as coisas findas,
Muito mais que lindas... Essas ficarão...

Drummond.








Hoje... Saí despretensiosamente:
Descarnado da luxúria,
Extasiando-me da abrupta luz
E liberto da vontade de possuir...
Limitado à cotidiana matéria
Espectro finito do existir!
Hoje saí sem me despedir,
Desnudo da humana carne envolta,
Sem se preocupar com a estrada
Que inevitavelmente deva seguir.
Sem os trajes terrenos presos a mim:
Este fugaz pileque homérico que é a vida,
Vou... Mas sem sentir pena!













Foto extraída do site:
http://1.bp.blogspot.com/_RKS7QRQ7aNE/TE4ItNmEvmI/AAAAAAAAAcM/Tgqk92OO_hk/s1600/gota-de-orvalho-mariana-borges-bizinotto-43182-1.jpg


quarta-feira, 16 de maio de 2012

CANTO DA TERRA VIAJANDO



As flores do mal não brotarão

Sob os teus olhos inocentes,

Nem os sacerdotes do medo

Abafarão com seus cânticos

Os hinos de liberdade.

Nem as profundezas da escuridão

Conterão as luzes dos teus olhos:

Plantadores de quimeras.

Seguiremos impassivelmente,

Apesar das inesperadas tormentas

Nesta nave celestial, errante

- Singrando este divino oceano,

Indo de encontro ao porto seguro

Do seu coração de eterna criança.






segunda-feira, 14 de maio de 2012

Embala-me no teu colo com ternura...




Minha alma anda presa
Neste verso que lhe escrevo.
Este sortilégio passageiro,
Trás o universo num pedaço
Na palma das mãos, faz sentir por inteiro.
Embala-me neste teu colo cosmogênico
No frescor do sentir do eterno:
Em vão não são as palavras ditas aos ventos
Aquelas impregnadas por sentimentos,
Da razão do pensar e emana
O elemento essencial que somos feitos.




Pictures by
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A rosa de todos os tempos



“Para ver o mundo num grão de areia

E um céu numa flor silvestre,

Segure o Infinito na palma da sua mão

E a eternidade numa hora.”

William Blake, em Auguries of Innocence



Nesta antemanhã celestial,

Desfizeram-se eternos mitos.

Infinita sensação galaxial

Fugaz, apesar dos seus ritos!


Vem a doloríssima manhã, vem...

Redimir esta dor universal,

Que os homens lúcidos têm

De ver a disseminação do mal.


Exorcizando antigos medos,

Libertando da matéria os ais!

A rosa desse final dos tempos

Não se desintegrará jamais!