sábado, 7 de janeiro de 2017

No apogeu do teu ser






























O esplendor das horas em tua companhia
Faz mover os astros silenciosamente,
Desvendando os segredos do gênesis,
Acariciando a languidão do ser.

Noutros corpos viajei
Num vaivém do êxtase,
Pondo um sorriso não eterno nos olhos,
Habitando impiedosamente o coração.

Mas não encontrei a mim mesmo.
Só reflexos do nada, herméticos
Instantes – rio que flui sem leito:
Teu corpo que outrora amei.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Há um compasso de espera no coração...




















Há um tempo de nascer, outro de morrer...

E no lacônico intervalo, o resistir!

Onde os corpos se encontram aflitos

Procurando o amor no entender dos fluidos.

Há um tempo de crescer, outro de aprender....

Conhecer o amor em sua plenitude,

E fazê-lo, sempre, seu perene abrigo!

Há um tempo de ganhar, outro de perder...

E de fazer, sem querer, da esperança:

Seu modo peculiar cotidiano de vida!

Há um tempo de chegar, outro de partir...

Sendo que aquilo que vivemos com ardor,

No passar das breves estações, fica

Nas boas lembranças que se leva consigo!

Há um tempo de cultivar, outro de ceifar...

De valer todo o suor por ter arado a terra;

Semeando os sonhos e vendo-os refletidos

No sorriso descontraído e sem pressa do filho.

Há um tempo de florir, outro de renunciar...

Onde a seiva da vida ainda nos possui,

Sendo um néctar precioso que se esvai...

E, inefavelmente, um dia finda!



domingo, 27 de novembro de 2016

A falsidade entre os homens não terá mais serventia












"O que Nascer em Mortal Condição
Com a terra se há-de-ver consumido..."
William Blake
( Poeta e Artista Plástico )
1793 D.C.


Quando içares as velas
Em fuga célere do teu destino,
Não deixarás as lembranças
Marcarem o teu inóspito caminho.
Sentirás mais leve e livre
Dos tomentos de ser humano,
Em vasto fado de morrer sem saber
O verdadeiro motivo de estar docemente
Marcada em teu gene: tamanha sina.
E os teus infinitos desejos,
Ao longo desta trajetória impune,
Jamais serão em vão...
Se ficares atenta, ainda que medonha
Força estranha nos oprima,
Sentiremo-nos mais fortes
Quando a esperança ainda brotar,
E nos fazer acreditar que exista algum lugar
Sem a truculenta e funesta mentira!
Mesmo que o manto negro mortal nos possua
Em pecado original e ainda nos resigne:
O amor divino finalmente triunfará,
Libertando de todo mal que nos abriga:
A solidão não precisará mais guarida!
E a roda da fortuna será um livro aberto,
Sem esconder nada ao acaso vinga:
Onde a pureza sublime reinará
Inevitavelmente, todos os dias.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Ao salpicar o céu da boca com o inesperado gosto da fruta!

                       Hão de perpetuar nossas canções ao passar dos dias...
Penetrando nos rincões os suaves acordes de nostalgias,
No cair do orvalho, como crisântemos, feito lágrima límpida.
Não serão em vão os sonhos que por ora parecem mera ilusão
De quem espera demais a verdade incrustada num carvão-pedra...
Lapidando-se ao passar dos tempos, esquecido num pedaço de chão,
E, quem sabe, inevitavelmente, sonhando ser diamante algum dia.
Posto o destino, como fugaz desencontro, a lavrar os campos,
Com o nosso suor que jamais seca com o romper da alvorada,
Tornando nossa espera menos rude ao arar a terra bruta!
Onde só terá lugar para a contemplação das coisas boas,
Nestes promissores dias, a canção nova será deveras,
Algo assim, diferente de ser eternamente triste:
Com mais purezas, ricas e infalíveis melodias,
Como a fluidez de torrentes águas cristalinas!
Pois tudo se torna sagrado e, com isso,
Quem dera, vem... Contagia-nos...
E simplesmente fica!



segunda-feira, 3 de outubro de 2016

BALADA DO COSMOPOLITA







Minha pátria...
São todas as pátrias.
A morada do sol
Nascente do arco-íris
De todas as cores, a girar,
Em torno de tudo.

Minha pátria...
São todas as pátrias.
De todas as crianças,
Brincando no firmamento,
Em todos os lugares
Sorrindo para o sempre.

Minha pátria...
São todas as pátrias.
De todos os povos:
Palestinos, Croatas,
Incas, Guaranis,
Curdos, Armênios...

Da flor, a flor...
Não desabrochou ainda,
De todas as cores
De todas as pétalas,
Das dores latentes
De todos os mundos.








Mapa do céu obtido pelo WMAP
Em 2003 o satélite WMAP fotografou o Universo
quando ainda um bebê de 380 mil anos de idade,
há cerca de 13,5 bilhões de anos. O Universo, desde
o Big Bang, tem 13,73 (mais ou menos 0,12) bilhões de anos.

domingo, 14 de junho de 2015

a rosa de todos os tempos





A arte da poesia tem que estar presente em todos os lugares, em todos os gestos. Essencial como o nascer do sol todas as manhãs, ativa o nosso metabolismo, nos faz intuir a chegada da brisa – trazendo aromas jamais percebidos –, nos faz despertar à chegada da derradeira primavera, extasiando de cores as nossas tão fatigadas retinas. Prepara todos os sentidos e o nosso coração para o mais significativo em nossas vidas, a maior e mais preciosa de todas as artes: a arte de conviver! Ousemos, então, desafiar o infinito, tecendo o porvir.







sábado, 23 de maio de 2015

Decifra-me








Decifra-me,
Em uma pujante cadência...
Devorando-me com teu olhar
Sorrateiro que expõe,
Minh’alma desnuda!
Acaricia-me com exatidão
Toda a languidez do ser,
Em suas dobras e cotovelos...
Fazendo da matéria
Uma aventura,
Um turbilhão de prazer.
Em seu corpo nu,
Basta-me, o universo!
Onde não precisa
Confidenciar os teus segredos
(O silêncio já se denuncia)
Com sua voz de anjo,
Ou sussurrar aos meus ouvidos
Os poemas de Shakespeare:
Só precisa estar e ser,
Em mim.



Rosa dos ventos: